Quando a gente emagrece as células de gordura se encolhem, mas continuam ali, esperando para entrar em ação. É como se o corpo mantivesse um "mapa" de onde estava aquela gordura, pronto para preenchê-la novamente. 

Sim, essa memória celular é real. Ao perder peso nosso metabolismo desacelera (o corpo queima menos calorias em repouso); o apetite aumenta (hormônios como a grelina - que estimula a fome - ficam mais altos); a saciedade diminui (é preciso comer mais para se sentir satisfeito) e as células de gordura enviam sinais pedindo para serem preenchidas outra vez. Viu, só? É fisiologia pura. 

Mas, temos alguns pontos-chave para auxiliar na estratégia de manutenção do peso: 

Pensar em longo prazo, não em dieta rápida - dietas restritivas ativam essa memória adiposa com força total. Mudanças graduais e sustentáveis funcionam melhor porque seu corpo tem tempo de se adaptar. 

Focar em bem-estar, não apenas em números- exercício, sono de qualidade e gerenciamento do estresse reduzem a inflamação e ajudam a regular os hormônios do apetite. Isso é tão importante quanto o que você come. 

Manter a ingestão de proteína - proteína aumenta a saciedade e ajuda a preservar a massa muscular durante a perda de peso - e músculos queimam mais calorias em repouso. 

Não negligencie a saúde mental - estresse crônico aumenta o cortisol, que favorece o armazenamento de gordura. Cuidar da sua saúde mental também é cuidar do peso. 

Além da balança - peso é apenas um número. Meça seu progresso também por energia, disposição, qualidade do sono e como suas roupas ficam. Às vezes, você está ganhando massa muscular enquanto perde gordura e a balança não reflete isso.  

 

Agora, se você é mulher, durante a perimenopausa o ganho de gordura vai além da "memória do tecido adiposo". Estudos mostram acúmulo de 1-2 kg de gordura visceral em 3-5 anos, devido à queda de 80% no estrogênio, que reduz lipólise subcutânea e favorece depósitos abdominais. Nessa fase, informação é fundamental e boas escolhas também.  

 

No final, bem-estar é um projeto de longo prazo. E a gente merece – e precisa - investir nele.